A tradição da tatuagem vem de civilizações antigas, índios, aborígenes e passa até por marinheiros e presidiários. Desde o seu início, marcar a pele significa encontrar pessoas de um mesmo grupo. O autor de Tatuagem: Dor. Prazer. Moda. E muita vaidade, Apoenan Rodrigues ressalta o caráter de tribo, que, segundo ele, permanece. “Você jamais vai ver um punk com um colibri ou uma patricinha com uma caveira”, afirma. Conheça alguns que contaram para a Época São Paulo os motivos que os levaram a marcar a pele.

Desde criança, a VJ Penélope Nova, 34 anos, queria ter uma tattoo. Seu pai, o roqueiro Marcelo Nova, preferiu mantê-la afastada das agulhas até a maioridade. No dia em que fez 18 anos, Penélope chegou ao estúdio às dez da manhã e fez um olho de hórus (amuleto egípcio) na nuca. “Era tão discreto que eu nem me sentia tatuada”, diz. Penélope voltou ao estúdio no ano seguinte para pintar um punhal entre os seios e nunca mais parou. Hoje, exibe 24 desenhos. “Meu pai me chama de muro pichado”, brinca.

Filho do rei Roberto Carlos, o radialista Dudu Braga, 39 anos, conhecido como Segundinho, tatuou um centauro na perna aos 24 anos, dois anos depois de perder a visão em decorrência de um glaucoma. Amigos o ajudaram a escolher a imagem. “Eles guiavam meus dedos sobre os desenhos, mostrando onde estava a cabeça, o arco”, afirma. O pai, com quem Dudu estava abrindo uma empresa, reclamou que aquilo tiraria sua credibilidade. “Respondi que eu jamais iria a uma reunião de shorts”, diz o filho.

Dona de um coraçãozinho no decote, Rachel Kestel, 24 anos, tatuou em janeiro uma frase em homenagem a suas filhas: "Sarah and Bárbara, endless loves". Bárbara, a caçula, tem dois anos. Sarah, a mais velha, morreu com apenas vinte dias, vítima de uma hemorragia cerebral, cinco anos atrás. “Ela havia acabado de mamar. Vomitou e desmaiou em seguida”, diz. Hoje, Bárbara costuma subir em seu colo e colocar os dedinhos nas letras. “Mamãe escreveu o nome da minha irmã e o meu”, ela faz questão de mostrar.

Mário Silveira Campos, 30 anos, trabalha de terno e gravata como diretor de tecnologia em uma empresa de gestão de carreira. Nos fins de semana, vira instrutor de pesca e revela sua verdadeira identidade de homem do mar. Em apenas dois anos, ele fez mais de vinte tatuagens, todas com imagens marinhas: um robalo, um barco, uma âncora, um tubarão, um Netuno, um livro de bordo, um pescador, uma traíra... Mário estima ter gastado R$ 25 mil até agora. As imagens, ele diz, o ajudam a matar a saudade do oceano.
POR CAMILO VANNUCHI
CREDITOS DA REVISTA EPOCÁ SÃO PAULO
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